“Agradou a Deus que residisse n’Ele toda a plenitude” (Cl 1, 19).(Sobre a canonização de nosso Pai Fundador)

“Agradou a Deus que residisse n’Ele toda a plenitude” (Cl 1, 19). (texto bíblico escolhido pelo Papa ao resumir sua visão sobre São José Marello)

Na solene liturgia de Canonização o Papa São João Paulo II proferiu uma homilia durante o rito de canonização de quatro novos santos. Ele começou refletindo sobre a inscrição na cruz de Jesus, que o declarava “Rei dos Judeus”. O Papa explicou que, diante da cruz de Cristo, a humanidade se divide entre aqueles que o desprezam e aqueles que o reconhecem como o Cristo. Ele enfatizou que todos somos chamados a tomar uma decisão diante deste Rei crucificado.

Os quatro novos santos canonizados – José Marello, Paula Montal Fornés, Leónia Francisca de Sales Aviat e Maria Crescência Höss – foram apresentados como exemplos de pessoas que se confiaram à realeza de Cristo. O Papa destacou que cada um deles recebeu, de maneira pessoal, a promessa do paraíso. Ele relacionou o momento histórico da canonização com o plano divino de salvação mencionado por São Paulo na Carta aos Romanos.

João Paulo II então descreveu brevemente a vida e as virtudes de cada um dos novos santos. Ele ressaltou suas contribuições únicas para a Igreja e a sociedade, destacando seus carismas particulares e as ordens religiosas que alguns deles fundaram. O Papa concluiu enfatizando que estes santos nos estimulam a contemplar Cristo Rei e a seguir seus passos com fidelidade, na esperança de um dia compartilhar sua glória eterna no Paraíso.

Naquele históricomo momento o Papa João Paulo II refletiu que São José Marello destacou-se como uma figura notável no cenário religioso do Piemonte, Itália, durante um período de florescimento espiritual, mas também de hostilidade contra a Igreja Católica. O Papa ressaltou que Marello, dotado de inteligência e paixão pela cultura e engajamento civil, encontrou em Cristo a síntese de todos os seus ideais. Seu lema de vida, “Ocupar-me dos interesses de Jesus”, refletia-se em sua profunda devoção a São José, o guardião do Redentor. Marello fundou a Congregação dos Oblatos de São José, transmitindo a eles seu estilo de vida caracterizado pelo serviço discreto e uma espiritualidade profunda. O Papa destacou o conselho de Marello aos seus seguidores: “Sede extraordinários nas coisas ordinárias” e “Sede cartuxos em casa e apóstolos fora de casa”. Como Bispo de Acqui, Marello dedicou todas as suas energias ao seu rebanho, deixando uma marca indelével em um curto período de tempo.

Breve histórico do processo de Canonização de São José Marello

  • Ano 1948. Inicia-se a Causa de Beatificação
  • Ano 1978. É lido o decreto sobre a heroicidade das virtudes
  • Ano 1993. Papa São João Paulo II proclama-o Beato (Bem-aventurado)
  • Ano 2000. João Paulo II reconhece um milagre do Bem-Aventurado José Marello.
    • Com decreto solene de 18 de dezembro de 2000, o Papa São João Paulo II reconheceu um milagre do Beato Giuseppe Marello; assim, em 13 de março de 2001, durante o consistório público ordinário para a canonização de alguns Beatos, João Paulo II pronunciou solenemente a data de sua canonização para 25 de novembro de 2001.
  • Ano 2001. João Paulo II proclama-o santo.

Palavras do Papa São João Paulo II no dia da Canonização

Naquele histórico evento o Papa São João Paulo II disse na Homilia da Missa de Canonização.

RITO DE CANONIZAÇÃO DE QUATRO NOVOS SANTOS

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II. Domingo, 25 de Novembro de 2001

1. “Por cima d’Ele havia a inscrição: “Este é o rei dos judeus”” (Lc 23, 38).

Aquela inscrição, que Pilatos mandara colocar sobre a cruz (cf Jo 19, 19), contém ao mesmo tempo o motivo da condenação e a verdade sobre a pessoa de Cristo. Jesus é rei Ele próprio o afirmou mas o seu reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36-37). Diante d’Ele, a humanidade divide-se: quem o despreza pelo seu aparente fracasso, e quem o reconhece como o Cristo, “imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação” (Cl 1, 15), segundo a expressão do apóstolo Paulo aos Colossenses, que ouvimos.

Diante da cruz de Cristo abre-se, num certo sentido, o grande cenário do mundo e realiza-se o drama da história pessoal e colectiva. Sob o olhar de Deus, que no Filho Unigénito imolado por nós se fez medida de todas as pessoas, de qualquer situação, civilização, todos somos chamados a decidir-nos.

2. Defronte do Rei crucificado apresentaram-se também aqueles que, há pouco, foram proclamados Santos: José Marello, Paula Montal Fornés de São José de Calasanz, Leónia Francisca de Sales Aviat e Maria Crescência Höss. Cada um deles se confiou à sua misteriosa realeza, proclamando com toda a sua vida: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino” (Lc 23, 42). E, de modo totalmente pessoal, cada um deles recebeu do Rei imortal a resposta: “Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso” (v. 43).

Hoje! Aquele “hoje” pertence ao tempo de Deus, ao desígnio de salvação, do qual fala São Paulo na Carta aos Romanos: “Porque os que [Deus] de antemão conheceu, também os predestinou… chamou… justificou… glorificou” (Rm 8, 29-30). Aquele “hoje” encerra também o momento histórico da canonização de hoje, na qual estas quatro exemplares testemunhas de vida evangélica são elevadas à glória dos altares.

3. “Agradou a Deus que residisse n’Ele toda a plenitude” (Cl 1, 19). Desta plenitude foi tornado participante São José Marello, como sacerdote do clero de Asti e como Bispo da diocese de Acqui. Plenitude de graça, fomentada nele pela forte devoção a Maria santíssima; plenitude do sacerdócio, que Deus lhe conferiu como dom e empenho; plenitude de santidade, que lhe adveio ao conformar-se com Cristo, Bom Pastor. D. Marello formou-se no período áureo da santidade do Piemonte, quando, entre numerosas formas de hostilidade contra a Igreja e a fé católica, floresceram exemplos do espírito e da caridade, como Cottolengo, Cafasso, Dom Bosco, Murialdo e Allamano. Jovem bom e inteligente, apaixonado pela cultura e pelo empenho civil, o nosso Santo encontrou só em Cristo a síntese de qualquer ideal e a Ele se consagrou no Sacerdócio. “Ocupar-me dos interesses de Jesus” foi o mote da sua vida, e por isso se reflectiu totalmente em S. José, o esposo de Maria, o “guarda do Redentor”. De São José atraiu-o fortemente o serviço escondido, alimentado por uma profunda espiritualidade. Ele soube transmitir este estilo aos Oblatos de São José, a Congregação por ele fundada. Gostava de lhes repetir: “Sede extraordinários nas coisas ordinárias” e acrescentava: “Sede cartuxos em casa e apóstolos fora de casa”. Da sua forte personalidade, o Senhor quis servir-se para a sua Igreja, chamando-o ao Episcopado da Diocese de Acqui, onde, em poucos anos, gastou pela grei todas as suas energias, deixando uma marca que o tempo não cancelou.

4. “Em verdade te digo: hoje estarás Comigo no Paraíso” (Lc 23, 43). No paraíso, na plenitude do reino de Deus, foi acolhida Santa Paula Montal Fornés de São José de Calasanz, fundadora do Instituto das Filhas de Maria, Religiosas Escolápias, depois de uma vida de santidade. Primeiro na sua cidade natal, Arenys del Mar, empenhada em várias actividades apostólicas e penetrando, com a oração e a piedade sincera, os mistérios de Deus; depois, como fundadora de uma família religiosa, inspirada no lema calasanziano “piedade e letras”, dedica-se à promoção da mulher e da família com o seu ideal de: “Salvar a família, educar as meninas no santo temor de Deus”; por fim, dá provas da autenticidade, da coragem e da ternura do seu espírito, um espírito modelado por Deus, durante os trinta anos de vida escondida em Olesa de Montserrat.

A nova Santa pertence a esse grupo de fundadores de institutos religiosos que no século XIX foram ao encontro das numerosas necessidades que naquela época se apresentavam e às quais a Igreja, na perspectiva do Evangelho e de acordo com as sugestões do Espírito, devia responder para o bem da sociedade. A mensagem de Santa Paula continua a ser actual e o seu carisma educativo é fonte de inspiração para a formação das gerações do terceiro milénio cristão.

5. O desígnio benévolo do Pai que “nos faz entrar no reino de seu Filho predilecto” encontra em Santa Francisca de Sales Aviat uma maravilhosa realização: ela viveu até ao fim a oferta de si própria. No centro do seu empenho e do seu apostolado, a Ir. Francisca de Sales coloca a oração e a união a Deus, onde ela encontra a orientação e a força para vencer as provas e dificuldades, e persevera, até ao fim da sua existência, nesta vida de fé, desejando deixar-se conduzir pelo Senhor: “Ó meu Deus, que a minha felicidade consista em sacrificar-Vos todas as minhas vontades e desejos!”. A decisão que melhor caracteriza a Madre Aviat, “esquecer-me de mim completamente”, é também para nós um apelo a ir contra a corrente do egoísmo e dos prazeres fáceis, a abrirmo-nos às necessidades sociais e espirituais do nosso tempo. Queridas Irmãs Oblatas de Santa Francisca de Sales, a exemplo da vossa fundadora, em profunda comunhão com a Igreja, sede, onde Deus vos colocou, bem determinadas em receber as graças presentes e em aproveitá-las, pois é em Deus que se encontram a luz e a ajuda necessárias em qualquer circunstância! Confiando na poderosa intercessão da nova Santa, aceitai alegremente o convite a viver, numa fidelidade renovada, as intuições que ela viveu de modo tão perfeito.

6. Prestar honra a Cristo, o rei: este desejo animou Santa Maria Crescência Höss desde a sua infância. Pôs ao seu serviço as suas capacidades. Deus concedera-lhe uma linda voz. Desde tenra idade pôde cantar no coro como solista, não para se pôr em evidência, mas para cantar e tocar para Cristo Rei.

Também colocou os seus conhecimentos ao serviço do Senhor. Esta franciscana foi uma conselheira muito procurada. As pessoas juntavam-se diante das portas do convento: no meio de homens e mulheres simples, encontravam-se também príncipes e imperatrizes, sacerdotes e religiosos, abades e Bispos. Desta forma, ela tornou-se uma espécie de “parteira” que procurava ajudar a dar à luz a verdade no coração de quem lhe pedia conselhos.

Contudo, também não lhe foi poupado o sofrimento. Já naquele tempo existia o “Mobbing”. Suportou os difamadores presentes na sua comunidade sem jamais pôr em questão a própria vocação. O grande alcance da paixão fez amadurecer nela a virtude da paciência. Conseguiu tornar-se Superiora: dirigir espiritualmente para ela significava servir. Tinha uma atitude generosa com os pobres, materna com as irmãs e sensível com todos os que precisavam de uma palavra de conforto. Santa Crescência amou o significado do reino de Cristo: “Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40).

7. “Dando graças a Deus Pai, que vos fez dignos de participar da sorte dos santos na luz” (Cl 1, 12). Nunca como nestes momentos encontram em nós eco estas palavras de São Paulo! Verdadeiramente a comunhão dos santos fazem-nos pregustar o Reino celeste e, ao mesmo tempo, estimulam-nos, a seu exemplo, a construí-lo no mundo e na história.

“Oportet illum regnare”, “É necessário que Ele reine” (1 Cor 15, 25), escrevia o Apóstolo, referindo-se a Cristo.

“Oportet illum regnare” repetis com o vosso testemunho, vós, S. Jose Marello, Santa Paula Montal Fornés de São José de Calasanz, Santa Leónia de Sales Aviat e Santa Maria Crescência Höss! O vosso exemplo nos estimule a uma contemplação mais viva de Cristo Rei, crucificado e ressuscitado. O vosso apoio nos ajude a caminhar com fidelidade no seguimento dos passos do Redentor, para um dia partilharmos, juntamente convosco, com Maria e com todos os Santos, a sua glória eterna no Paraíso.

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